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Nem Harley-Davidson nem Honda: esta é agora, nos EUA, a marca de motos mais vendida

Homem a sentar-se numa mota verde Kawasaki numa loja com várias motos e capacete Kawasaki sobre mesa.

Num sábado soalheiro, numa estrada de acesso a Phoenix, o parque de estacionamento do diner já estava dividido em “tribos”. De um lado, a malta da Harley: couro preto, escapes grossos e aquele ar de ritual de fim de semana. Perto dali, uma Honda Gold Wing brilhava tanto que parecia saída de um catálogo.
Mas o movimento mais constante não estava ali. Do outro lado da rua, numa loja de motos num centro comercial discreto, entrava e saía gente que muitos jurariam não ser “o público das grandes marcas”: jovens de ténis, pais de calças de ganga e sweatshirt, e até um reformado com sapatos de golfe a apontar para um ecrã no painel como quem escolhe um SUV novo.

O logótipo por cima da porta não era Harley.
E também não era Honda.

E, no entanto, pelos números, é agora esta marca que manda nas vendas de motos nos Estados Unidos.
A reviravolta é que muitos motociclistas ainda custam a acreditar.

How a “non-traditional” bike brand quietly took the crown

Entre hoje em quase qualquer loja de desportos motorizados nos subúrbios e repare no que as pessoas estão mesmo a assinar. Há motos de terra, side-by-sides, ATVs - e, no meio disso tudo, uma fila de motos de estrada e de aventura que estão a vender mais do que as clássicas lendas cheias de cromados. Os gráficos de vendas não enganam: Kawasaki tornou-se a marca de motos mais vendida nos Estados Unidos, ultrapassando ícones que quase toda a gente cita primeiro.

O que antes soava a “marca das réplicas verdes de corrida” passou a ser a escolha padrão para uma fatia enorme de utilizadores. De quem vai para o trabalho pela primeira vez em duas rodas a quem regressa depois de anos, é este emblema que aparece cada vez mais nos registos.

Fale com concessionários e a história repete-se, quase palavra por palavra. Entra um tipo a dizer que está “só a ver” e que provavelmente quer uma Harley usada. Acaba sentado numa Kawasaki Ninja 400 “só para sentir”. Vinte minutos depois, já está a fazer contas e a perceber que a prestação mensal fica no campo do possível - não no dinheiro de garagem de fantasia.

Ou é uma mãe na casa dos 30 que não andava de moto desde a universidade. Ia buscar uma Honda em segunda mão, mas o vendedor encaminha-a para uma Versys-X ou uma Z400. Leve, potência amigável, ABS, eletrónica moderna. Quando dá por ela, já está a sorrir debaixo do capacete no test ride.
A tal moto verde que antes gritava “miúdo das corridas” está, discretamente, a tornar-se a primeira moto da família.

A lógica não é glamorosa, mas funciona de forma implacável. A Kawasaki acertou no ponto onde preço, performance e utilidade do dia a dia se cruzam. Tem pequenas cilindradas acessíveis por menos do que muitas cruisers usadas, modelos de gama média que rendem muito acima do que custam, e grandes aventureiras que parecem motos de viagem a sério sem o “imposto do ego”.

Isto não é sobre mitologia de marca nem estatuto de balcão de café. É sobre folhas de cálculo, simulações de seguro e a sensação de estar numa moto que não assusta nem a carteira nem o corpo. Sejamos honestos: em 2026, ninguém compra uma moto sem, pelo menos, espreitar a app do orçamento.
E nesse momento silencioso (e um bocadinho desconfortável), a Kawasaki ganha.

Why riders are quietly drifting from Harley and Honda to Kawasaki

Se ficar uma hora num stand e só ouvir, apanha a mesma frase vezes sem conta: “Quero algo com que consiga viver.” É aí que aparece a fissura na armadura da Harley-Davidson e até da Honda. A cruiser aspiracional e o sofá de turismo indestrutível continuam a ter o seu público, mas muita gente quer agora motos leves, simples e que não metam medo na bomba de gasolina ou na oficina.

A proposta da Kawasaki é quase sem show-off. Consumos decentes. Alturas de assento controláveis. Potência “real” que tanto serve para ir às compras como para uma estrada de serra. E um custo total de propriedade que parece mais próximo de um carro usado comum do que de uma compra de crise de meia-idade.

Um vendedor no Texas resumiu isto com uma história. Um cliente no final dos 40 entrou decidido a comprar a primeira Harley. Já tinha escolhido a cor. Foram buscar o orçamento e o homem mudou de cara - não porque não pudesse pagar, mas porque a moto de sonho de repente parecia um compromisso de longo prazo com lembretes mensais.

Depois foi dar a uma Kawasaki Z900, quase por acaso. Potência na mesma liga, muito mais leve, seguro bem mais barato. Outra vibe, sim - mas quando fizeram as contas num financiamento a três anos, a diferença libertava dinheiro para equipamento, escapadinhas ao fim de semana e, no fundo, para a vida.
Ele continuava a querer o emblema da Harley. Só queria andar mais do que queria polir.

Por baixo do cromado e da nostalgia, a nova realidade de mercado é simples. Os motociclistas estão a escolher versatilidade em vez de herança. Uma Ninja 400 pode ser commuter diário, brinquedo de track-day e a primeira “moto a sério” de quem vem de uma scooter. Uma KLR650 atravessa um continente por um preço que não pede uma segunda hipoteca.

A Harley continua a ser um estilo de vida. A Honda continua a ser referência de fiabilidade. A Kawasaki tornou-se, em silêncio, a escolha padrão de quem só quer andar. Os mais novos não têm a mesma ligação emocional à cultura cruiser clássica; cresceram com sportbikes nos videojogos e com motos de aventura em séries de viagem no YouTube.
Na hora de assinar, a pergunta deixa de ser “O que é fixe?” e passa a ser “O que encaixa na minha vida inteira?”

How Kawasaki built a practical empire - and what riders can learn from it

Há uma espécie de genialidade pouco sexy na estratégia de gama da Kawasaki. Em vez de correr atrás de uma única imagem, ocupou o “meio” com motos que fazem três ou quatro trabalhos de forma competente. Ninjas e Z de baixa cilindrada para iniciantes e para o dia a dia. Versys de média cilindrada e aventureiras para quem divide o tempo entre cidade e escapadelas. A KLR old-school para quem quer desaparecer em gravilha durante semanas.

O método é simples: ter uma opção “boa para quase tudo” em praticamente todas as classes de cilindrada e colocá-la um pouco abaixo do limiar da dor emocional no preço. Muita gente não sonha com um poster da Kawasaki na parede. Acaba por escolher uma porque o pacote completo faz sentido.

Muitos motociclistas culpam-se por não irem “até ao fim” no clássico sonho: a grande bagger da Harley, a Gold Wing com todos os extras. Em silêncio, pensam que estão a conformar-se. Mas fale com eles seis meses depois e o tom muda. Estão a acumular quilómetros, não a olhar para uma prestação de que se arrependem.

O erro comum é comprar para a versão fantasiosa de nós próprios em vez da versão que tem filhos, casa para pagar e talvez uma lombar mais sensível. A subida da Kawasaki é quase um espelho: mostra como muitos de nós querem, secretamente, máquinas que cabem nas frestas da vida real.
Todos já passámos por isso: o coração quer a moto do poster e a cabeça sussurra “és tu que vais pagar a manutenção”.

Algures entre o sonho americano da cruiser e a lenda japonesa do touring, os motociclistas criaram uma nova categoria sem lhe dar nome: a moto acessível, utilizável, sem dramas, que dá mesmo para usar todas as semanas.

  • Broad lineup from 300cc to 1000cc and above
    Fits beginners, return riders, and long-term owners without forcing a brand switch.
  • Value-focused pricing and running costs
    Lower purchase price, reasonable insurance, and solid reliability make riding accessible.
  • Real-world ergonomics and power
    Bikes designed for traffic, backroads, and weekend trips, not just showroom photos.
  • Strong dealer and parts network
    Easy servicing and parts availability, crucial for people who ride year-round.
  • Modern tech where it counts
    ABS, ride modes, traction control on key models without turning every bike into an iPad on wheels.

What this quiet revolution says about how Americans ride now

O facto de a Kawasaki vender agora mais do que gigantes como a Harley-Davidson e a Honda em solo norte-americano não “mata” essas marcas. Só expõe o quão variado é o motociclista moderno. Vai haver sempre quem queira o trovão de um V-twin grande ou o conforto quase real de um trono Gold Wing. Mas cresce o grupo cujo sonho se parece mais com uma moto verde, de média cilindrada, que aguenta o trânsito à terça-feira e as curvas de montanha ao sábado.

A história antiga dizia que havia motos “a sério” e o resto. Os números de vendas estão a escrever outro guião. Um guião em que a marca mais vendida é a que, discretamente, respeita o teu tempo, o teu dinheiro e a tua lombar.

Key point Detail Value for the reader
Kawasaki now leads U.S. sales Recent market data shows Kawasaki edging past Harley and Honda in unit volume Helps riders understand why they see so many green bikes on the road
Practical, versatile lineup From Ninja 400 to KLR650 and Z-series, most models cover multiple use cases Makes it easier to choose one bike that fits daily life and weekend fun
Cost and usability win Lower prices, manageable power, and realistic running costs Reassures buyers they can join or stay in motorcycling without wrecking their budget

FAQ:

  • Question 1Is Kawasaki really the top-selling motorcycle brand in the U.S. now?
    Recent industry sales reports show Kawasaki leading in total motorcycle units sold in the American market, especially when you account for small and mid-displacement models that move huge volumes. Harley and Honda still dominate certain segments, but Kawasaki wins on pure unit count.
  • Question 2Does this mean Harley-Davidson and Honda are “dying”?
    No. Harley and Honda remain massively influential and profitable, with strong loyalty and high-margin models. Kawasaki’s rise mainly shows that the volume game has shifted toward lighter, more affordable, more versatile bikes.
  • Question 3Are Kawasaki bikes good for beginners?
    Yes. Models like the Ninja 400, Z400, and Versys-X 300 are widely recommended as starter bikes thanks to friendly power delivery, reasonable seat heights, and modern safety tech like ABS on many trims.
  • Question 4Why are so many riders switching from cruisers to Kawasaki models?
    Many riders want something lighter, cheaper to own, and easier to handle in city traffic. Kawasaki offers upright ergonomics, decent wind protection on some models, and pricing that feels realistic for everyday riders, not just for special-occasion bikes.
  • Question 5Should I buy Kawasaki over Harley or Honda?
    It depends on what you value. If your priority is heritage, sound, and style, Harley might still speak to you. If you want long-distance comfort and legendary durability, Honda is a strong bet. If you’re focused on price, versatility, and real-world usability, Kawasaki deserves a serious test ride.

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