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Exército Argentino incorpora os primeiros VCBR 8×8 M1126 Stryker e avança na Brigada Mecanizada a Roda

Veículo blindado militar verde com canhão e rodas robustas em exposição interior moderna.

Com a chegada dos primeiros veículos de combate blindados sobre rodas (8×8) M1126 Stryker, o Exército Argentino começou finalmente a materializar o tão aguardado projecto de criar a sua Brigada Mecanizada a Roda. Até alcançar este primeiro marco, a instituição percorreu um caminho longo: a incorporação de quatro VCBR M1126 - a primeira remessa de um total de oito unidades - deverá formar um núcleo inicial destinado à instrução e à acumulação de experiência com o blindado, antes da execução do programa principal, cujo objectivo é adquirir mais de 200 exemplares.

Ao longo dos anos, a Zona Militar foi acompanhando avanços e recuos do projecto VCBR do Exército Argentino, um programa condicionado por oscilações da política nacional em matéria de Defesa e orçamento, bem como por mudanças sucessivas quanto aos países considerados potenciais fornecedores.

Essa postura interna - particularmente prejudicial para iniciativas que exigem planeamento a médio/longo prazo e continuidade - resultou na análise de inúmeros modelos de veículos de combate blindados sobre rodas, tanto em configuração 8×8 como 6×6: do Iveco Guaraní ao VN-1 (ZBL-09) da Norinco, passando pelo Pandur II da Excalibur/GDELS, pelo GDLS Stryker, entre outros.

Importa recordar que a venda dos VCBR M1126 Stryker foi formalmente solicitada pelo Departamento de Estado dos EUA em Julho de 2020. Na altura, a Argentina tinha apresentado um pedido de 27 Stryker na variante Veículo de Transporte de Infantaria, incluindo o armamento correspondente (sem estações de armamento controladas remotamente), rádios e equipamentos de comunicações, visores térmicos para os condutores e material associado. Esse lote inicial permitiria dotar uma unidade táctica do tipo Regimento de Infantaria Mecanizado.

Ainda assim, a iniciativa não se concretizou devido às mudanças políticas ocorridas no final de 2020, o que voltou a colocar o projecto em suspenso e abriu caminho a novas avaliações. Dessa etapa emergiu a opção do Iveco Guaraní, VCBR 6×6 de origem brasileira, para o qual chegou a ser assinada uma carta de intenção. As dificuldades orçamentais argentinas, somadas a problemas de financiamento, acabariam por travar a compra do único blindado sobre rodas que conseguiu completar uma ETO na Argentina.

Com a orientação da actual administração para um alinhamento directo com os EUA, o VCBR Stryker foi ganhando peso ao longo dos meses, competindo com outras propostas e acabando por se impor - incluindo face ao Pandur II apresentado por Israel.

Embora o M1126 Stryker não seja, por si só, o estado da arte no segmento dos veículos de combate blindados sobre rodas, o modelo beneficia tanto de uma linhagem relevante - a família LAV / Piranha - como de uma evolução contínua ao longo dos anos, impulsionada pela experiência operacional no Iraque, Afeganistão, Síria, entre outros teatros.

A génese do VCBR Stryker

A família de veículos de combate Stryker começou a ser desenhada no final dos anos 1990, quando o General Eric Shinseki assumiu funções como Chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA e lançou um conjunto de iniciativas orientadas para transformar a estrutura e melhorar a capacidade de resposta estratégica. Esse processo desembocaria no conceito conhecido como Força Objectiva.

Um dos pilares da Força Objectiva de Shinseki foi a criação de uma Equipa de Combate de Brigada Provisória (Interim Brigade Combat Team, IBCT), uma grande unidade que serviria de referência para a evolução das futuras Brigadas. A intenção era constituir Brigadas Médias: suficientemente leves para que os seus veículos pudessem ser transportados por via aérea em aeronaves C-130 Hércules, mas mantendo protecção e poder de fogo adequados para garantir a manobra no campo de batalha.

Depois de estabelecida, a IBCT deveria ser capaz de se projectar em 96 horas para qualquer ponto do globo, enquanto uma divisão exigiria 120 horas. O benefício destas grandes unidades residia na menor necessidade de meios de transporte - em especial aéreos - à luz das lições retiradas das operações Desert Shield/Storm e Allied Force.

Como complemento às Brigadas Provisórias, o plano de Shinseki incluiu também a modernização da Força Pesada Legada e o desenvolvimento do Future Combat System (FCS). Este último deveria disponibilizar maior poder de fogo e melhor protecção do que os sistemas em serviço, mas com uma redução significativa de peso. Previa-se que o desenvolvimento demorasse pelo menos uma década.

Do Veículo Blindado Provisório ao Stryker

Para aferir tecnologias e alternativas disponíveis no mercado, o Exército dos EUA lançou, em Dezembro de 1999, uma Demonstração de Desempenho de Plataformas, realizada em Fort Knox com propostas de onze fabricantes. No total, foram apresentados 35 veículos sobre rodas e de lagartas; 16 correspondiam à variante de transporte de tropas. Os restantes surgiram em configurações de Posto de Comando, Reconhecimento, Transporte de Morteiro, Anti-tanque, Sistema de Canhão Móvel, Engenharia e Ambulância.

Entre os modelos avaliados em Fort Knox estiveram a família M113A3 e MTVL da United Defense, os M1117 e LAV-300/600 da Cadillac Gage Textron, o Bionix da STA, os VCBR Pandur e Dragoon da GDLS, o Fuchs da Henschel, o VAB da GIAT, enquanto a General Motors Canada compareceu com o LAV III, tal como a MOWAG com a variante Piranha.

Apesar de a Demonstração não ter como finalidade seleccionar uma plataforma, mas sim comparar capacidades disponíveis, o Exército dos EUA anunciaria em Novembro de 2000 a escolha do LAV III como Veículo Blindado Provisório (IAV, Interim Armored Vehicle). O programa - assente num joint-venture entre a General Motors Canada e a GDLS - pretendia desenvolver uma família completa de VCBR 8×8, com duas peças centrais: a variante base de Transporte de Tropas (ICV) e o Sistema de Canhão Móvel (MGS).

A variante de Transporte de Tropas serviria de base ao desenvolvimento de 8 versões: veículo de transporte de morteiro, veículo de mísseis guiados antitanque, veículo de reconhecimento, veículo de apoio de fogo, veículo de esquadra de engenharia, veículo posto de comando, veículo de evacuação médica e veículo de reconhecimento NBQ.

Nesta fase inicial, o Exército dos EUA definiu vários Parâmetros-Chave para toda a família IAV, incluindo a possibilidade de transporte num C-130 Hércules e a capacidade de integrar os sistemas C4ISR em serviço. Além disso, as versões de Transporte de Tropas e de Engenharia tinham de conseguir transportar uma secção de infantaria com o respectivo equipamento individual. Para o Sistema de Canhão Móvel, foi pedido que fosse "...capaz de destruir um bunker de infantaria padrão e criar uma abertura num muro de betão armado com o seu armamento principal...".

Uma das mais-valias do LAV III era o facto de a maioria das configurações exigidas pelo Exército dos EUA para o seu IAV "...estar pronta para produção, com base no facto de o veículo LAV III básico se encontrar actualmente em produção para outros países, como o Canadá. Prevê-se que só seja necessário realizar trabalhos de desenvolvimento para o MGS, o veículo de reconhecimento NBC e o veículo de apoio de fogo...".

Para encurtar prazos e iniciar a instrução das Brigadas Provisórias em plataformas sobre rodas, o Exército dos EUA recebeu LAV III ICV emprestados do Canadá, caça-carros CIO Centauro de Itália, veículos tácticos HMMWV equipados com o sistema Striker (no papel de Veículo de Apoio de Fogo) e VCBR 6×6 M93A1 Fox (Fuchs) para cumprir funções NBQ.

Já nessa altura se antecipava que o desenvolvimento do MGS "...provavelmente será o maior desafio do programa. A integração do canhão principal de 105 mm no chassis do LAV III é, até à data, em grande medida uma incógnita...". Com o passar dos anos, a variante M1128 MGS do Stryker tornar-se-ia a mais problemática, ao ponto de o Exército dos EUA, em 2021, decidir retirá-la antecipadamente até ao encerramento do ano fiscal de 2022, devido a recorrentes questões técnicas e dificuldades logísticas.

Em Fevereiro de 2002, o IAV passou oficialmente a chamar-se Stryker, em homenagem a Stuart S. Stryker e Robert F. Stryker, militares condecorados com a Medalha de Honra durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietname. Poucos meses depois começariam as primeiras entregas, sendo a Companhia A do 5.º Batalhão do 20.º Regimento de Infantaria a primeira subunidade do Exército dos EUA a receber catorze VCBR 8×8 Stryker.

O M1126 Stryker Infantry Carrier Vehicle

O M1126 Infantry Carrier Vehicle é uma das 10 variantes iniciais da família Stryker de blindados sobre rodas, uma versão testada em combate no Iraque, no Afeganistão e, mais recentemente, na Ucrânia. Com base na experiência recolhida nos desdobramentos no Médio Oriente, o Exército dos EUA foi introduzindo melhorias para elevar a protecção, a mobilidade, a capacidade de geração eléctrica e o poder de fogo.

Esse conjunto de alterações, aliado a novas exigências operacionais, levaria ao desenvolvimento e à entrada em serviço de 27 plataformas diferentes: às 10 iniciais, com casco de fundo plano, juntar-se-ia a versão M1296 ICV-Dragoon (armada com canhão de 30mm); 7 variantes iniciais com casco Duplo V; e 7 variantes com casco Duplo V A1 (ECP, Engineering Change Proposal), às quais se somariam a variante de defesa de curto alcance M-SHORAD M1265A1 Sgt Stout e o substituto do ICV-D, o M1304 ICVVA1-30mm.

Do VCBR Stryker existem três variantes principais, cada uma incorporando sucessivos melhoramentos:

  • Stryker com casco de fundo plano

    • Peso de combate de 22.452 quilogramas
    • Suspensão 3.5
    • Motor Caterpillar C7 de 350HP
    • Alternador de 570 Amp
    • RWS M151 Protector
  • Stryker com casco Duplo V

    • Chassis capaz de suportar peso de combate de 24.947 quilogramas
    • Suspensão 5.5
    • Motor Caterpillar C7 de 350HP
    • Alternador de 570 Amp
    • Casco Duplo V
    • Novos pneus
    • Maior distância entre eixos
    • Depósito de combustível com maior capacidade
    • Protecção integrada para o condutor
    • Kit integrado de sobrevivência a minas
    • RWS M153 CROWS / CROWS II
  • Stryker com casco Duplo V A1 (ECP)

    • Chassis capaz de suportar peso de combate de 28.500 quilogramas
    • Suspensão 6.0
    • Motor Caterpillar C9 de 450HP
    • Alternador de 910 Amp
    • Implementação de uma arquitectura de rede interna
    • Casco Duplo V
    • Novos pneus
    • Maior distância entre eixos
    • Depósito de combustível com maior capacidade
    • Protecção integrada para o condutor
    • Kit integrado de sobrevivência a minas
    • RWS M153A4 CROWS-J (com capacidade de lançar míssil FGM-148 Javelin)

No caso das unidades recentemente incorporadas pelo Exército Argentino, trata-se da versão M1126 ICV para transporte de tropas. Estes blindados 8×8 operam com uma tripulação de duas pessoas (condutor e comandante) e dispõem de espaço para acomodar 8/9 militares de infantaria equipados. Nos flancos externos dos VCBR são visíveis os cestos porta-equipamento, destinados a optimizar o espaço interno - tradicionalmente limitado - do veículo.

Movido por um motor Caterpillar C7 de 350HP, o Stryker M1126 possui tracção permanente em quatro rodas, seleccionável para 8×8. A direcção é assistida e actua nos dois eixos dianteiros. O VCBR integra ainda uma suspensão hidropneumática independente, com sistema de gestão de altura que oferece várias opções seleccionáveis, e um sistema central de enchimento de pneus. A caixa automática Allison MD3066SP dispõe de 6 velocidades à frente e uma marcha-atrás.

O casco do M1126 é construído em aço de alta dureza, assegurando protecção frontal contra projécteis de 14,5mm e protecção integral contra munições de 7,62mm. Como reforço, a variante de transporte de tropas inclui um kit de placas cerâmicas MEXAS 2C (Sistema Modular de Blindagem Expansível) instalado no casco, alargando a protecção contra 14,5mm e estilhaços de projécteis de artilharia, bem como um revestimento interno de kevlar anti-fragmentos.

Quanto aos sistemas optrónicos, o M1126 Stryker está equipado com o visor térmico AN/VAS-5 para o condutor (além de três periscópios M-17). O comandante opera a estação de armamento controlada remotamente Protector da série M151 (além de sete periscópios M45), que integra um módulo de imagem térmica para todas as condições meteorológicas e pode ser armada com uma metralhadora M2 de 12,7mm, ou uma FN MAG/M240, ou um lança-granadas automático MK19 de 40mm.

Tal como noticiámos há algumas semanas, a estação de armamento Protector M151 permite "...realizar fogo estabilizado (parado ou em movimento) com uma metralhadora pesada ou um lança-granadas automático, tanto de dia como em condições de baixa visibilidade. Os sistemas electro-ópticos contam com auto-foco, além de zoom que vai de 2x a 27x (diurno), enquanto o sistema independente de quatro eixos permite corrigir automaticamente a elevação (de -20° a +50°) e a deriva...".

A Protector é composta pelos seguintes elementos:

  1. A estação, que acomoda o armamento e a respectiva montagem, tubos lançadores de granadas de fumo M6, sistemas electro-ópticos e laser (Módulos de Imagem Térmica e Imagem Diurna, Telémetro Laser STORM, apontador IR e visível), o sistema de estabilização e a caixa de munições
  2. Unidade de controlo de tiro, com ecrã, diversos comandos e software com soluções balísticas
  3. Joystick ou manípulo de controlo
  4. Cabos de ligação

No que toca à dotação de munições, o M1126 pode transportar mais de 3.300 munições 5,56mm para a tropa e 32 granadas de fumo de 66mm, além de 3.200 munições para a metralhadora M240/MAG, ou 2.000 munições para a M2, ou 430 munições para o MK19 instalado na estação Protector.

Os Stryker do Exército Argentino estão equipados com assentos anti-choque, em substituição dos bancos presentes nas primeiras gerações do M1126. Esta alteração, entre outras, resultou da experiência de combate no Iraque e no Afeganistão, que conduziu à incorporação de vários kits de protecção e sistemas C-IED.

Em termos de conforto e apoio à tripulação, tanto os militares transportados como o condutor e o comandante dispõem de aquecimento e ar condicionado, sistema NBQ e sistema de extinção de incêndio, além de aquecedores para rações de combate. O acesso ao compartimento da tropa faz-se pela rampa/portão traseiro ou por uma escotilha instalada no mesmo.

  • Especificações
    • Velocidade máxima (em estrada): 101km/h
    • Autonomia (em estrada): 450 a 500 km
    • Capacidade de combustível: 200 litros JP8/Diesel
    • Capacidade de vau: 1.3 metros
    • Comprimento: 7,31 metros
    • Largura: 2,87 metros
    • Altura: 2,69 metros

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