Saltar para o conteúdo

Oscar Santiago Zarich assume o Estado-Maior-General do Exército Argentino e traça a rota de reequipamento

Oficial militar argentino planeia estratégia com tanques e drone sobre mapa estendido numa sala de comando.

Na terça-feira passada, 16 de dezembro, o General de Divisão Oscar Santiago Zarich tomou posse como novo Chefe do Estado-Maior-General do Exército Argentino. Nas suas primeiras declarações enquanto máximo responsável pela Instituição - sucedendo ao Tenente-General Carlos Presti, que passou a exercer funções como novo Ministro da Defesa - o alto comando apresentou uma visão geral do que pode ser entendido como o roteiro para os próximos meses e anos no domínio do equipamento.

Como tem sido referido em múltiplas ocasiões, e apesar de a chegada dos primeiros quatro Veículos de Combate Blindados sobre Rodas (VCBR) 8×8 M1126 Stryker ter representado um impulso muito relevante, o Exército Argentino tem vários programas de reequipamento que ainda precisam de arrancar.

No seu discurso, o General de Divisão Zarich descreveu esses programas e afirmou de forma clara: “Partindo do conceito de que não há adestramento possível sem equipamento, foram incorporados novos sistemas de armas e continuaremos a incorporá-los ao longo do ano de 2026”.

Acrescentou ainda: “O sistema TAM 2C, os veículos Stryker 8×8, o radar de longo alcance RPA, os veículos 4×4 Mercedes-Benz que irão substituir os antigos Unimog, a incorporação de drones de ataque e reconhecimento e os já descritos módulos de protecção individual, que incluem capacetes e coletes tácticos, são provas inequívocas de um caminho virtuoso que continuaremos a aprofundar e a consolidar”.

Por outro lado, também detalhou desafios e metas de incorporação de material, apontando como objectivo “… aumentar a quantidade de veículos de combate TAM 2C, receber mais veículos 8×8, helicópteros de ataque e transporte, drones, radares, munição errante de diferentes calibres, mais camiões de transporte, artilharia autopropulsada de 155 mm e espingardas de assalto de última geração”.

A partir destas palavras do novo Chefe do Exército Argentino, é possível fazer um breve ponto de situação dos actuais programas de modernização e reequipamento que procuram afirmar-se como os “núcleos de modernidade” já assinalados, por sua vez, pelo Tte. Gnal. Presti quando comandava a força - e também agora, a partir do Edifício Libertador, na qualidade de Ministro da Defesa.

Programa TAM 2C-A2

Até ao momento, para além da realização de vários cursos dirigidos a condutores e guarnições e da participação em diferentes actividades operacionais, têm sido escassas, ao longo deste ano, as novidades sobre a entrega do segundo lote de dez carros de combate VC TAM modernizados para o padrão TAM 2C-A2.

Embora o Exército trate este assunto com elevado grau de reserva, como já foi referido em diversas publicações, o programa de modernização registou, ao longo de 2025, atrasos que afectaram concursos para a compra de vários componentes - tanto os destinados à recuperação e preparação das caixas (bateas) dos carros seleccionados como, inclusive, a indispensável provisão de munições.

À data de hoje, não existem indicações de que, no que resta de 2025, venha a ocorrer uma apresentação de material que permita confirmar a entrega do segundo lote de carros correspondente, saído das linhas da Direcção de Arsenais.

Programa VCBR 8×8

Sem margem para dúvidas, a recepção do primeiro lote de quatro viaturas da família Stryker, na versão de transporte blindado de pessoal M1126, colocou um ponto final numa espera prolongada para o Exército Argentino. Como próximos passos do programa, é aguardada a chegada, no final do ano, de uma segunda remessa de quatro unidades provenientes dos Estados Unidos, conforme indicado pelo ex-Ministro da Defesa, Luis Petri, durante a apresentação dos primeiros 8×8 no início do mês.

Concluída esta primeira fase de oito exemplares, e como já foi referido em várias oportunidades, os planos do Exército apontam para a aquisição de uma família de veículos 8×8 baseada na plataforma Stryker. Esse conjunto incluiria mais de duzentas viaturas, que poderiam ser distribuídas da seguinte forma:

  • 120 Veículos de Transporte de Pessoal armados com uma metralhadora M2 de 12,7 mm
  • 27 Veículos de Combate de Infantaria armados com um canhão de 30 mm
  • 14 Veículos Caça-Tanques
  • 12 Veículos Porta-Morteiros
  • 9 Veículos Posto de Comando
  • 9 Veículos Ambulância
  • 8 Veículos de Recuperação
  • 6 Veículos Lança-Ponte
  • 4 Veículos para abertura de brechas

Renovação da frota de helicópteros da Direcção de Aviação do Exército

A situação actual da Direcção de Aviação do Exército está cada vez mais centrada na necessidade de iniciar um programa de renovação da frota de helicópteros. Hoje, essa frota assenta nos Bell UH-1H Huey/Huey II, que se aproximam, lenta mas inevitavelmente, do fim da sua vida operacional.

Perante este cenário, têm sido referidos vários estudos e esforços que ainda não se materializaram. Tal como evidenciou o concurso lançado no início de dezembro de 2024 e anulado no início de 2025, o Exército já teria escolhido uma nova plataforma de helicópteros baseada na família UH-60 Black Hawk.

Apesar de não terem sido divulgados mais pormenores, apenas é possível inferir o modelo de incorporação que se procuraria adoptar. No concurso anteriormente citado, pretendia-se adquirir um primeiro lote de três S-70/UH-60, procurando que essas aeronaves cumprissem missões de assalto aéreo, transporte de carga externa, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndios e protecção civil.

Ainda assim, até hoje não foi iniciado um novo processo concursal nem foram conhecidas negociações para retomar o que estava previsto no concurso anulado em janeiro de 2025. Em paralelo, surgem dificuldades crescentes na sustentação da frota de Bell UH-1H, tendo em conta que se trata de um modelo com décadas de serviço e que vem sendo substituído por plataformas mais modernas, como é o caso dos referidos Black Hawk.

À procura de novos Veículos de Combate de Artilharia Autopropulsada

À semelhança do que se observa noutros exércitos terrestres - e tendo em conta aquilo que se verifica no conflito russo-ucraniano - o Exército Argentino pretende equipar-se com uma nova plataforma de apoio de fogos e ataque a maiores distâncias, que complemente os actuais VCA Palmaria e substitua os AMX MK 1 F3, abatidos ao efectivo sem reposição.

No que diz respeito às palavras do General Zarich, que apontam para a compra de nova “… artilharia autopropulsada de 155 mm”, existem estudos técnicos e avaliações recentes com vista a escolher um candidato para o projecto de aquisição de 36 novos VCA, no qual o ATMOS, de origem israelita, se impôs ao CAESAR francês.

Contudo, até ao momento, essas análises ainda não evoluíram para as negociações necessárias que permitiriam concretizar a compra. Ao mesmo tempo, na região registam-se passos mais concretos por parte do Brasil e do Peru, bem como da Colômbia - cada qual com os seus próprios desenvolvimentos - para incorporar este tipo de plataformas, caracterizadas por elevada mobilidade e grande poder de fogo.

Outros segmentos a considerar: substituição do FAL, camiões tácticos, drones e radares

Dando continuidade ao que foi enunciado na passada terça-feira, na Praça de Armas do Regimento 1 “Patricios”, resta perceber se, no próximo ano, será possível avançar de forma definitiva na escolha e confirmação do futuro substituto do FAL actualmente em dotação no Exército. São amplamente conhecidas as negociações e a aproximação em curso com a empresa israelita IWI, relacionadas com uma eventual adopção do ARAD 5 e 7.

Importa também sublinhar a questão da incorporação de novos drones em diferentes variantes e funções, tanto de concepção e produção local como fornecidos por empresas estrangeiras. Até à data, não se concretizou a aquisição de novos lotes de munições errantes HERO desde a integração das primeiras remessas em 2023.

No domínio dos radares, deve salientar-se a incorporação do primeiro radar RPA-200M fornecido pela INVAP, destinado a substituir em breve os antigos Cardion AN/TPS-44 Alert. Do mesmo modo, merece referência o desenvolvimento actualmente em curso do radar RMF-200V, que seria instalado para operação em veículos tácticos e utilitários da força.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário