Comprar um carro usado tanto pode ser uma experiência divertida como um verdadeiro teste à paciência: para uns é uma caça ao negócio perfeito, para outros é uma desilusão - e, em certos casos, quase uma roleta russa.
Se adquiriu o seu carro usado num stand e este lhe foi entregue depois de uma revisão completa, excelente notícia: muitos dos pontos abaixo provavelmente não se aplicam ao seu caso. Já se optou por comprar a um particular, vale a pena seguir estes cuidados, porque ignorá-los pode sair-lhe caro.
Trate da documentação
Numa compra entre particulares, não chega entregar o dinheiro e trazer o carro para casa. Para que o veículo passe oficialmente a ser seu, comprador e vendedor têm de preencher o Impresso Único para registo automóvel (que pode obter aqui).
De seguida, dirija-se a uma Loja do Cidadão ou a um notário para registar a viatura em seu nome e formalizar a venda. Na Loja do Cidadão, o registo custa 65 euros e, regra geral, demora cerca de uma semana até receber o Documento Único.
Além do registo de propriedade, tenha presente que, para poder circular, é obrigatório fazer seguro antes de se fazer à estrada.
Ainda no capítulo da documentação automóvel, confirme também se a inspeção está válida (é igualmente obrigatória) e verifique se não está a aproximar-se a altura do ano em que terá de pagar o Imposto Único de Circulação.
Leve o carro usado a um mecânico
O cenário ideal é conseguir levar o carro a uma oficina antes de fechar negócio, mas nem sempre isso é bem recebido por quem vende - poucos ficam entusiasmados quando se pede para levar a viatura a um mecânico de confiança “para ver se está tudo bem”.
Por isso, a recomendação prática é simples: assim que comprar o carro, marque uma ida ao mecânico para confirmar se a avaliação que fez estava certa e, sobretudo, para antecipar avarias que possam transformar-se em reparações dispendiosas.
E, por favor, se estiver a ver um carro e desconfiar do estado mecânico, não avance com a compra. Acredite: alguns de nós já ignoraram esse sinal e continuam arrependidos.
Troque todos os filtros
Com o carro já na oficina (ou quando tiver oportunidade), substitua os filtros. A menos que a viatura tenha acabado de sair de uma revisão, é muito provável que os filtros de óleo, ar, combustível e habitáculo já tenham muitos quilómetros em cima.
Mesmo que lhe pareça desperdício trocar filtros que “ainda aguentavam” mais uns milhares de quilómetros, convém lembrar: a manutenção mais eficaz é a preventiva - é assim que se chega a quilometragens elevadas.
Troque o óleo do motor
Se, ao verificar a vareta, o óleo não apresentar um tom “dourado”, o mais sensato é fazer a troca. E, no fundo, “se vai trocar os filtros aproveita-se para mudar o resto, certo?”
Não se esqueça de que o óleo usado perde capacidade de lubrificação no motor do seu carro “novo”. Insistir em mantê-lo pode reduzir de forma significativa a vida útil do motor. Mais vale prevenir do que remediar e evitar situações como aquela que pode ler neste artigo.
Troque o líquido de refrigeração
Como já deve ter percebido, os fluídos merecem o mesmo tratamento que os filtros: depois de comprar o carro, o mais prudente é substituí-los. Um dos líquidos essenciais mais esquecidos (a menos que tenha um Porsche 911 refrigerado a ar, nesse caso ignore esta parte) é o líquido de refrigeração.
Tendo em conta que em Portugal se registam, por vezes, temperaturas bastante elevadas, aconselha-se a troca do líquido de refrigeração e, já que vai estar “com a mão na massa”, aproveite para verificar o estado de todo o sistema de refrigeração.
Apesar de haver quem diga que como funciona num circuito fechado não é preciso trocá-lo, a tendência é que com o tempo este se torne numa solução electrolítica devido aos diferentes metais com que entra em contacto e consequentemente, se torne num agente corrosivo.
Faça o que fizer, nunca, mas mesmo nunca, use água como líquido de refrigeração, a não ser que queira corroer o motor.
Leia o manual de instruções
A última dica é, provavelmente, a menos entusiasmante. Sabemos bem que ler o manual de instruções pode ser uma seca, mas vale a pena insistir: leia o manual do seu carro.
Os minutos investidos compensam, porque a partir daí vai perceber exatamente o significado de cada luz no painel e como tirar partido de todos os equipamentos da viatura.
Além disso, é no manual que normalmente encontra os intervalos de manutenção, a pressão correta dos pneus e, muito importante, como acertar o relógio!
Esperamos que estas recomendações o ajudem a aproveitar ao máximo o seu novo velho carro - idealmente com o mínimo de dores de cabeça.
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