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Elétrico mais barato da Hyundai é pequeno por fora mas grande nos argumentos

Carro elétrico Hyundai INSTER EV verde água estacionado em showroom moderno com grandes janelas.

O Inster é o elétrico mais acessível da Hyundai, mas o preço deste citadino aproxima-o de modelos do segmento acima. E isso não é necessariamente um problema.


Na Coreia do Sul, onde é produzido, o Hyundai Casper é uma presença habitual: um automóvel pequeno, estreito e de formas retangulares, visto frequentemente a serpentear pelo trânsito intenso das grandes cidades.

Na Europa, este citadino (segmento A) passa a ser comercializado exclusivamente como elétrico, ao contrário do mercado sul-coreano, onde também existe com motor a gasolina.

A designação Casper - associada a um conhecido fantasminha das bandas desenhadas do século passado - deixou de ter impacto junto do público mais novo e dá lugar a Inster. A escolha do novo nome pretende falar diretamente com uma geração que convive diariamente com redes sociais como o Instagram, um dos alvos naturais deste elétrico relativamente acessível.

Em termos de estilo, pode dizer-se que mistura referências: há algo de Jeep Renegade e de Fiat 500, ou, numa leitura mais direta, linhas claramente inspiradas no Suzuki Ignis.

Casper XL: o Hyundai Inster cresce em tamanho

Com 3,83 m de comprimento, o Inster aumenta 23 cm face ao Casper, sobretudo por adotar uma distância entre-eixos consideravelmente maior: 2,58 m (mais 18 cm do que no Casper).

Este valor é, aliás, superior ao de vários modelos do segmento B - um degrau acima do Inster - como o Volkswagen Polo ou o Peugeot 208, e coincide com o de um Renault Clio. Já a largura é contida: 1,61 m, apenas 3 cm acima da de um Dacia Spring.

O aspeto mais marcante está nos módulos “matrix” com grafismo pixelado, tanto à frente como atrás: uma solução arrojada que lhe dá uma personalidade forte, pouco habitual num citadino.

As luzes diurnas e os piscas são em LED. No entanto, o facto de a versão de acesso manter faróis semiesféricos com feixes halogéneo amarelos faz com que, à noite, o carro pareça mais datado e com iluminação claramente menos eficaz.

E isto contrasta com características bem atuais, como a possibilidade de trancar e destrancar o carro com o telemóvel, ou os comandos por voz do sistema de infoentretenimento.

Interior do Hyundai Inster: amplo e extremamente versátil

Um dos trunfos principais do Hyundai Inster é a flexibilidade do habitáculo. Há espaço para quatro adultos e a bagageira pode passar de 238 litros para 351 litros graças ao curso de 16 cm dos bancos traseiros em calhas.

Rebatendo os encostos traseiros (em duas partes iguais), o volume sobe para 1059 litros. Em contrapartida, não existe mala dianteira sob o capô (habitual em alguns elétricos) para guardar, por exemplo, os cabos de carregamento.

Tendo em conta as dimensões exteriores compactas, é muito positivo que até quatro ocupantes com 1,90 m consigam viajar sem a sensação de estarem apertados.

Na segunda fila, os passageiros beneficiam ainda da ausência de intrusões no piso, já que a plataforma K1 é dedicada a elétricos. Soma-se um acesso facilitado pelo amplo ângulo de abertura de 90º das portas.

O painel de bordo, de desenho simples, integra dois ecrãs de 10,25” - um para instrumentação e outro para infoentretenimento - mas colocados separados, e não juntos sob a mesma moldura, como acontece noutros Hyundai elétricos.

As funções essenciais contam com botões físicos abaixo do ecrã central, o que é uma vantagem. A climatização é manual, algo aceitável neste segmento.

Os materiais são integralmente rígidos ao toque, mas o conjunto aparenta ser sólido e transmite alguma confiança. Há vários espaços para arrumação, nas portas e na consola central. Existe também uma prateleira à frente do passageiro para pousar objetos pequenos (com iluminação noturna) e uma base de carregamento sem fios para telemóveis.

Uma “sala de estar” - ou até um espaço para dormir

O Hyundai Inster permite transformar o interior numa espécie de quarto: os encostos dos bancos dianteiros podem ficar totalmente na horizontal, criando uma cama de casal com algum conforto e apenas um pequeno intervalo entre cada lado «da cama».

O amplo espaço livre entre os dois bancos dianteiros facilita a circulação dos ocupantes e até a mudança de lugar, caso o pretendam. O tejadilho panorâmico, combinado com as generosas áreas envidraçadas, oferece uma vista privilegiada sobre a cidade e contribui para um habitáculo mais luminoso.

Autonomia excelente para um citadino

Sob o capô dianteiro, pode estar um motor de 71 kW (97 cv) associado a uma bateria de 42 kWh, ou um de 84,5 kW (115 cv) - a versão aqui conduzida. A diferença resulta da tensão superior da bateria. Em ambos os casos, o binário máximo mantém-se nos 147 Nm.

Nesta configuração, o motor elétrico PSM (ímane permanente) trabalha com um acumulador de maior capacidade: 49 kWh.

Seja qual for a versão, o Hyundai Inster sente-se mais à vontade em condução urbana, onde as retomas são rápidas e agradáveis, mais do que a aceleração sustentada em percursos longos.

Com consumo homologado de 15,1 kWh/100 km (jantes de 17″), o Inster com a bateria maior anuncia até 360 km de autonomia. Com jantes de 15″, o valor sobe para 370 km. Já a variante com bateria menor e motor menos potente fica nos 327 km.

É uma autonomia muito competente para um citadino que, à partida, passará a maioria do tempo em ambiente urbano - o que também ajuda a que estes valores sejam atingíveis na «vida real».

O Inster disponibiliza ainda uma tomada de 230 V para alimentar ou carregar equipamentos externos, útil para carregar bicicletas elétricas ou alimentar material de campismo, churrasqueiras elétricas, entre outros.

Em estrada

O volante ajusta-se em altura e em profundidade, algo pouco habitual neste segmento. Inclui patilhas para alterar a intensidade da desaceleração regenerativa. Em cidade, a condução com um só pedal revela-se particularmente prática, no habitat natural do Inster.

Os modos Eco e Sport influenciam diretamente a resposta do motor e da direção: mais progressiva e leve em Eco, mais imediata e com maior peso em Sport.

Em meio urbano, o Hyundai Inster mostra-se muito ágil, beneficiando das acelerações quase instantâneas. A direção é rápida e suficientemente precisa. Já o travão poderia oferecer uma resposta mais pronta e mais linear ao pressionar o pedal.

Em pisos degradados, a versão com jantes de 17″ pode tornar-se desconfortável em asfalto muito mau, embora ajude a conter os movimentos laterais da carroçaria. Esses movimentos são mais evidentes com jantes de 15″, apesar de estas favorecerem o conforto de rolamento.

Ou seja, a escolha resume-se a: mais estabilidade, menos autonomia e visual mais valorizado com jantes maiores; ou mais conforto, maior autonomia e um aspeto mais de «carro-brinquedo» com as jantes pequenas.

Abaixo dos 25 mil euros?

O Hyundai Inster já pode ser pré-reservado em Portugal, com preços a partir de 19 250 euros… sem IVA. Esta campanha aplica-se apenas a empresas e empresários em nome individual (ENI), ficando ainda por anunciar o preço para particulares.

Tudo aponta para que fique abaixo dos 25 mil euros na versão com bateria mais pequena e potência ligeiramente inferior, passando a competir diretamente com as versões de entrada de modelos maiores como o Citroën ë-C3, o Fiat Grande Panda e o Renault 5 E-Tech.

A variante conduzida neste primeiro contacto - com bateria maior e mais potente - será, porém, mais cara e deverá situar-se nos 28 500 euros. Isto volta a colocá-lo frente a propostas do segmento acima, o que pode ser encarado como desvantagem. Por outro lado, o Inster destaca-se sobre todos no ponto sempre determinante da autonomia.

E o Dacia Spring? Continua a ser um dos poucos rivais diretos no segmento A - o outro é o consideravelmente mais caro FIAT 500 -, mas, apesar de muito mais barato (e também mais básico), o Spring não consegue acompanhar o Inster em habitabilidade, prestações e autonomia.

Veredito

Especificações Técnicas

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